A maior parte das pessoas, ao pensar num jogo eletrônico não faz idéia do número de etapas que são necessárias até que este fique completo. O projeto de um jogo inclui etapas como a definição do tipo, a escolha do nome, uma identidade visual, uma interface, um roteiro, personagens, sons, cenários, programação, regras, testes e outros detalhes que serão trabalhados depois que o jogo estiver pronto, como embalagem, manual de instruções, locais de venda.
Entre todas essas etapas existem diversos momentos em que o designer pode atuar dentro do projeto de um game e pensei no quanto isso é pouco discutido, então quem sabe aqui não fica um começo de discussão?
Alguns autores falam de 4 atuações: o designer de jogos, o designer de personagens, o designer de níveis e o designer de interface. Segundo Paulo Andrade (apud BOBANY,2008), os designers de jogos são os profissionais que “pensam” como um jogo deve ser. O designer de jogos define as regras do jogo e os desafios. Andrade afirma que o designer não cria apenas a perspectiva e o ambiente do jogo, mas pensa, descreve e documenta cada detalhe do jogo.
Arthur Bobany (2008) afirma que o design de personagem engloba muito mais que aparência e roupas de um personagem. Bobany explica que um designer de personagem determina como ele reage ao jogador, ao ambiente, o jeito de andar, lutar, dormir, sentir, enfim, a concepção de uma criatura viva, seja ela antagonista, protagonista ou aliado.
O designer de níveis ou fases cuida dos níveis de dificuldade do jogo, assim como da criação de cenários e ambientes. Segundo Bobany (2008) o trabalho de design de níveis engloba tanto a produção estética quanto a funcional dos ambientes, respondendo a questões como os desafios a serem enfrentados pelo jogador e o sentimento que determinada parte do jogo deve transmitir.
O designer gráfico cuida da interface de controle e dos menus dos jogos. Brent Fox (2005) define interface como a parte do jogo que permite ao usuário interagir com aquele. Fox explica a importância da interface dizendo que ela é a conexão entre o jogador e o jogo, e que uma interface bem projetada faz a experiência de jogo mais divertida.
Há também autores que acham complicado definir funções na criação dos jogos eletrônicos O Bates (2001) por exemplo afirma: “Em Hollywood cada trabalho tem um nome, e funções específicas. Todos os envolvidos na produção de um filme sabem exatamente qual é o escopo de suas responsabilidades. Na indústria de jogos, isto é diferente. Toda companhia divide as etapas de produção de um jogo de forma peculiar. O trabalho em si não varia, mas como o trabalho é chamado e como é feito depende de cada empresa.”
Se essa definições podem existir ou não fica aqui como questão, mas o importante é que os designers continuem trabalhando e com isso produzindo jogos que além de terem um bom gameplay possam até mesmo seguir estilos artísticos como art déco (Bioshock), impressionismo (Okami) e surrealismo (Silent Hill).
Citações:
BATES, Bob. Game Design: the art &business of creating games. California: Prima publishing, 2001. 300p.
BOBANY, Arthur. Video Game Arte. Rio de Janeiro: Editora Novas Idéias, 2008. 192p.
FOX, Brent. Game Interface Design. Boston: Premier Press and Thomson Course Technology, 2005. 212p.